Senador Canedo vive alerta no abastecimento e enfrenta pressão no saneamento

10 de setembro de 2026 às 14:08

De acordo com relatório do MPGO, demanda do município por conta de expansão urbana desordenada continua superior a oferta de água, apesar de abertura recente de poços artesianos pela SANESC

Uma das questões mais emergenciais que atrai a atenção de moradores e gestores públicos em Senador Canedo, na Região Metropolitana de Goiânia, é o problema de fornecimento de água no município. Interrupções bruscas, dificuldades de abastecimento e agravamento da situação em períodos de estiagem tornaram-se rotina. No centro das discussões está a autarquia municipal responsável pelo fornecimento local: a Agência de Saneamento de Senador Canedo (SANESC), diretamente ligada à prefeitura.

A entidade pública é responsável pelo fornecimento de água a 99,3% de uma população em crescimento populacional vertiginoso e desordenado. De acordo com o último Censo (2022), Senador Canedo foi o município com mais de 100 mil habitantes que mais cresceu no Brasil. Grande parte desse aumento populacional tem origem em movimentos migratórios, para os quais o município não teve nem tempo, nem recursos necessários para se adaptar. Os resultados também se fazem sentir no setor de saneamento básico.

A realidade se expressa em números. De acordo com relatório produzido pelo Ministério Público de Goiás (MP-GO) em 2024, as estruturas da SANESC operam de forma precária, com 40% de perdas. Para fazer frente à expansão urbana em consequência do aumento populacional, foram realizadas 2,3 mil ligações até julho de 2026. A combinação entre diminuição de eficiência no sistema e rápido e desordenado aumento populacional provocou um déficit estrutural no fornecimento.

Atualmente, o sistema da SANESC é formado por três conjuntos maiores de unidades de fornecimento: as Estações de Tratamento de Água (ETAs) Lúcio Rosa e Sozinha e um subsistema formado por poços artesianos. Para o atendimento à demanda de Senador Canedo, a SANESC teria de produzir uma vazão média de 1.750 m³/h. Atualmente, a Agência só consegue entregar 1.500 m³/h, e isso apesar da recente adesão de 50 poços artesianos ao sistema.

Para o empresário canedense e candidato a deputado estadual Samuel Carvalho (Republicanos), esses processos têm levado o município a um estresse hídrico que no curto prazo pode se tornar crônico. “Empreendimentos imobiliários nos limites do município têm sido aprovados sem critério, sem que a SANESC tenha tempo e recursos para aumentar o fornecimento de água de acordo com essa nova realidade”, comenta.

Carvalho informa que, sob constante pressão e vulnerabilidade, o sistema colapsa mesmo sob eventos de menor dimensão. “Um acidente de caminhão e um empreendimento que aconteceram recentemente às margens do Ribeirão Sozinha já foram suficientes para provocar interrupções no fornecimento de água para a população por dias”, pontua.

Para Carvalho, é urgente conferir uma solução que passe pelo aumento da oferta de água para o município. “Acredito que Senador Canedo tem várias opções, entre o aumento do número de poços artesianos, a procura de novos mananciais ou, até mesmo, uma possível operação conjunta com a Saneago. O que não pode continuar é essa situação de interrupções frequentes e baixa qualidade na prestação de um serviço essencial à população canedense”, pontua.